Crise Dissociativa: Sintomas, causas e como lidar.
As crises dissociativas são vivências complexas e, muitas vezes, perturbadoras. O termo “crise” se refere a episódios mais graves de dissociação, que podem incluir despersonalização, desrealização e uma sensação profunda de desconexão com a realidade. Essas experiências podem impactar a forma como a pessoa lida com suas emoções, pensamentos e até com a percepção de si mesma.
Cada ser humano vivencia uma crise dissociativa de maneira singular. Essa singularidade está ligada ao histórico de vida, ao modo de pensar e até à forma como a pessoa interpreta seu passado, presente e futuro.
O que pode desencadear uma crise dissociativa?
As crises dissociativas costumam estar associadas a situações intensas, como estresse elevado, ansiedade extrema ou eventos traumáticos. Em alguns casos, experiências do passado que não foram processadas adequadamente também podem atuar como gatilhos.
Determinados estímulos, lugares, pessoas ou objetos, podem despertar lembranças de traumas, funcionando como disparadores de uma nova crise. Além disso, fatores genéticos e o uso de algumas substâncias também podem contribuir para o desenvolvimento de sintomas dissociativos.
A crise geralmente começa com uma sensação de desconforto, marcada pela perda gradual da conexão com a realidade. Esse afastamento pode acontecer em relação ao mundo interno, ao ambiente externo ou a ambos simultaneamente.
A intensidade desse processo tende a aumentar, tornando-se cada vez mais frequente e desconfortável. Nesse ponto, podem surgir experiências ligadas à despersonalização e à desrealização, em ambas a pessoa perde o controle sobre algumas funções da mente e do corpo.
Despersonalização: a desconexão interna
A despersonalização ocorre quando a desconexão está relacionada principalmente ao mundo interno da pessoa. Ela pode deixar de se reconhecer no espelho, sentir estranheza em relação ao próprio corpo ou ter a sensação de estar flutuando. Pensamentos e emoções também podem parecer distantes ou irreais.
Esse processo traz uma percepção alterada de si mesmo, como se a identidade estivesse fragmentada ou deslocada.
Desrealização: a desconexão com o ambiente externo
Já a desrealização envolve a percepção do ambiente. A pessoa pode sentir que o mundo ao redor não é real ou que não pertence ao espaço em que está inserida. Lugares e pessoas podem parecer estranhos, como se estivessem em outra dimensão.
Essa experiência costuma ser descrita como se a realidade fosse um sonho, trazendo um profundo desconforto e sensação de não pertencimento.
A relação entre trauma e crises dissociativas
Muitas vezes, crises desse tipo estão ligadas a eventos traumáticos ou situações de ansiedade extrema. O cérebro, em sua tentativa de proteger, pode recorrer a mecanismos de defesa como a amnésia dissociativa, em que partes ou a totalidade de uma experiência são bloqueadas da memória. Isso ocorre principalmente em regiões como o hipocampo, relacionadas ao armazenamento de lembranças.
Esse processo ajuda a pessoa a sobreviver emocionalmente ao evento, mas também pode gerar dificuldades no reconhecimento e no enfrentamento da experiência traumática.
Durante uma crise dissociativa, o apoio emocional pode fazer grande diferença. Vivenciar essa situação em isolamento pode potencializar sentimentos de desamparo, aumentando o risco de que se torne um trauma mais profundo.
Ter ao redor uma rede de apoio formada por familiares, amigos ou pessoas de confiança pode contribuir para reduzir o impacto negativo da crise. Além disso, a presença de profissionais qualificados pode auxiliar na compreensão e no manejo desse tipo de experiência. Blz? Show!
Eduardo Giovanelli
Neuropsicólogo





