Ansiedade Psicossomática: Quando o Corpo Fala o Que a Mente Cala

Você já sentiu um nó na garganta, aperto no peito ou falta de ar em momentos de estresse, sem nenhuma causa médica aparente? Isso pode ser um sinal de que seu corpo está tentando dizer algo que você ainda não colocou em palavras. Esses sintomas são comuns em casos de doenças psicossomáticas, condições nas quais emoções e pensamentos impactam diretamente o funcionamento do corpo.

O termo psicossomática vem da junção das palavras “psique” (mente) e “soma” (corpo), e descreve um fenômeno em que questões emocionais ou mentais se manifestam fisicamente. Quando estamos sob pressão constante — seja por trabalho, problemas familiares ou conflitos internos — nosso corpo pode começar a responder de forma intensa, gerando sintomas físicos reais.

O Acúmulo de Emoções Pode Virar Doença

Imagine uma garrafa de champanhe sendo agitada constantemente. A pressão vai aumentando até que, em algum momento, a rolha estoura. Da mesma forma, emoções como raiva, frustração, tristeza ou ansiedade que não são expressas ou elaboradas, vão sendo armazenadas internamente — e o corpo, mais cedo ou mais tarde, encontra uma forma de “gritar”.

Sintomas como insônia, dores no peito, dificuldade para respirar, sensação de cansaço extremo ou até crises de pânico podem ter origem nesse acúmulo emocional. Em casos mais graves, essa sobrecarga pode até contribuir para doenças como hipertensão ou distúrbios cardíacos.

Um exemplo comum é o de pessoas que enfrentam ambientes de trabalho tóxicos. Elas recebem cobranças excessivas, sofrem agressões verbais ou vivem sob tensão constante. Por medo de perder o emprego ou por dificuldade em se posicionar, vão “engolindo” tudo. Com o tempo, o corpo começa a apresentar sinais: noites mal dormidas, dores inexplicáveis, palpitações, alterações na respiração. Tudo isso é o corpo dizendo: “você precisa olhar para isso.”

A Pandemia e o Isolamento Aumentaram os Casos de Psicossomatização

A pandemia e o isolamento social potencializaram esse processo. Muitos tentaram se convencer de que estavam lidando bem com o distanciamento, mas com o passar do tempo, sentimentos de tédio, solidão e fadiga emocional começaram a surgir. O corpo respondeu com desânimo, apatia, falta de energia e outros sintomas relacionados a estados emocionais mal resolvidos.

Expressar o que sentimos é essencial. Quando colocamos nossas emoções em palavras, ativamos um processo chamado neuroplasticidade, que permite que o cérebro comece a reorganizar padrões e aliviar a tensão emocional acumulada.

No entanto, o processo não deve parar por aí. É fundamental reprocessar as emoções, ou seja, identificar, entender e lidar com o que está por trás de cada sintoma. Terapias como a neuropsicologia, o brainspotting e outras técnicas de regulação emocional são ferramentas valiosas nesse caminho.

A psicossomática nos ensina algo poderoso: não existe separação entre mente e corpo. O que sentimos, pensamos e vivemos impacta nossa saúde como um todo. Por isso, se você vem sentindo que algo “não está certo” com seu corpo e os exames médicos não apontam nenhuma causa física clara, considere olhar para dentro.

Buscar ajuda profissional, praticar o autoconhecimento e adotar estratégias de cuidado emocional são passos fundamentais para uma vida mais leve, saudável e equilibrada.

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Eduardo Giovanelli

Neuropsicólogo

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