Dissociação — O Que É e Como Ela Pode Afetar Quem Sofre com Ansiedade

Você já teve a sensação de “sair do corpo”? Ou de viver uma situação tão intensa que parecia estar desconectado da realidade? Isso pode ter sido um episódio dissociativo — um fenômeno mais comum do que parece e que está frequentemente associado a traumas e transtornos de ansiedade.

Neste artigo, vamos explicar o que é dissociação, por que ela acontece e como identificar os principais tipos, com base na abordagem da Experiência Somática.

O Que É Dissociação?

A dissociação é uma alteração no estado de consciência, onde a pessoa se desconecta temporariamente do corpo, das emoções ou da realidade ao seu redor. Embora esse termo seja bastante associado a transtornos mentais como a esquizofrenia, é importante entender que qualquer pessoa pode passar por um episódio dissociativo, especialmente em situações de estresse ou trauma.

A dissociação pode se manifestar como um estado de “congelamento”: você está ali, vendo o que acontece, mas não sente como se estivesse, de fato, presente. É como se o corpo estivesse num lugar, e a mente, em outro.

Por Que Dissociamos?

Geralmente, a dissociação ocorre como uma resposta de sobrevivência do cérebro a uma situação emocionalmente intensa. Ao se desconectar da dor física ou emocional, o sistema nervoso tenta proteger o indivíduo.

Pessoas que viveram traumas na infância, experiências de violência, abuso, acidentes ou situações catastróficas são mais propensas a apresentar episódios dissociativos. Mas mesmo eventos menos extremos, como um forte conflito emocional, podem gerar esse tipo de resposta.

5 Formas Comuns de Dissociação

Segundo estudos e a prática clínica, existem diferentes formas pelas quais a dissociação pode se manifestar:

  • Pelo sentir: A pessoa se desconecta das sensações físicas ou emocionais do próprio corpo.
  • Pela imagem: A memória ou imagem traumática é “apagada” ou vivida com uma sensação de irrealidade.
  • Pelo comportamento: Movimentos automáticos, sem consciência do que está sendo feito.
  • Pelo afeto: Dificuldade em sentir ou identificar emoções.
  • Pelo significado: A pessoa interpreta o evento de forma distorcida (como algo normal ou catastrófico), ou nem consegue atribuir sentido a ele.

Os 3 Tipos de Dissociação Segundo a Experiência Somática

A Experiência Somática é uma abordagem terapêutica focada no corpo e na autorregulação do sistema nervoso, muito usada no tratamento de traumas. Ela classifica a dissociação em três tipos principais:

  • Dissociação Primária: Desconexão de um ou mais dos cinco elementos citados acima (sentir, imagem, comportamento, afeto e significado).
  • Dissociação Secundária: Acontece principalmente em relação ao ambiente, quando a pessoa “desliga” da realidade externa.
  • Dissociação Terciária: O indivíduo “cria” um personagem ou assume um papel dissociado para lidar com a situação traumática — muitas vezes sem perceber, como um mecanismo de autoproteção.

É Possível Tratar a Dissociação?

Sim. A dissociação pode (e deve) ser tratada com acompanhamento especializado. Terapias como a Experiência Somática, o Brainspotting e a neuropsicologia clínica ajudam o paciente a retomar a consciência corporal e emocional, processando os eventos traumáticos de forma segura, respeitando o tempo do corpo.

Em alguns casos, pode haver a necessidade de suporte psiquiátrico com uso de medicação, principalmente se a dissociação estiver ligada a um transtorno mais complexo. Mas o mais importante é saber que há tratamento eficaz — e que reconhecer os sinais é o primeiro passo para buscar ajuda.

Dissociar é um fenômeno natural do ser humano diante de situações de extremo estresse, dor e fuga da realidade. Porém, quando se torna frequente ou intenso, pode afetar profundamente a qualidade de vida e o bem-estar emocional.

Se você percebe que “desconecta” com frequência, sente que está no “automático” ou não reconhece suas emoções e reações, é importante procurar um neuropsicólogo. Com o suporte adequado, é possível se reconectar com seu corpo, sua mente e sua história — de forma mais consciente e saudável.

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Eduardo Giovanelli

Neuropsicólogo

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