Recaída ou lapso? Aprenda a identificar e lidar com cada situação

Quem nunca se sentiu frustrado após “escorregar” em meio a um processo de mudança ou autocuidado? Pode ser na terapia, na alimentação, nos estudos, ou em qualquer hábito que você esteja tentando consolidar. Mas antes de se culpar, é importante entender: será que isso foi mesmo uma recaída? Ou foi apenas um lapso?

Recaída x Lapso: qual a diferença?

Recaída é uma queda mais intensa, que representa um retorno significativo a comportamentos antigos, muitas vezes exigindo um recomeço no processo. Já o lapso é como um deslize, um escorregão momentâneo. A diferença principal está na forma como você lida com o erro e retoma o seu objetivo.

Por exemplo:

Imagine que você está seguindo uma dieta com foco em saúde. Em um dia mais estressante, você sai da rotina e come alimentos que havia decidido evitar.

  • Se você se desespera, se culpa e continua comendo compulsivamente nos dias seguintes, isso pode se transformar em uma recaída.
  • Mas se você reconhece o deslize, identifica o gatilho e retoma seu plano no dia seguinte, você teve apenas um lapso.

O perigo da autocrítica excessiva

Muitas vezes, o problema não está no deslize em si, mas na forma como você o interpreta. Quando você rotula o que aconteceu como uma recaída sem avaliar com clareza, pode acionar pensamentos negativos como:

“Eu estraguei tudo”, “Eu nunca vou conseguir”, “Não adianta continuar”.

Esses pensamentos ativam áreas do cérebro ligadas à culpa e impulsividade — especialmente o sistema límbico, responsável pelas emoções mais reativas. Resultado? Você busca alívio imediato (comida, fuga, procrastinação), o que reforça o comportamento disfuncional.

Como adotar uma postura mais racional e saudável

Para evitar cair nesse ciclo, o segredo é ativar o pensamento racional, usando o neocórtex, a parte do cérebro envolvida no planejamento, análise e tomada de decisão.

Veja como:

  1. Reconheça o lapso como parte do processo:
    Todos erram. Um deslize não invalida todo seu progresso.
  2. Identifique gatilhos e impulsos:
    O que te levou a escorregar? Estresse, cansaço, frustração? Nomear o gatilho ajuda a controlá-lo, tanto algo que aconteceu internamente quanto externamente.
  3. Adote uma visão macro da jornada:
    Avalie seu progresso como um todo. Um episódio isolado não define seu caminho.
  4. Evite a culpa como ferramenta de motivação:
    A culpa paralisa, não fortalece. Troque a autocrítica pela autocompaixão e estratégia.

Deslizes acontecem — o que faz diferença é o que você faz depois. Chamar tudo de “recaída” pode te colocar em um lugar de paralisia emocional e pode resultar em padrões disfuncionais. Já reconhecer que foi apenas um lapso e reagir com consciência te coloca de volta no caminho, desenvolvendo flexibilidade psicológica.

Olhe para seu processo com mais clareza, menos peso e mais estratégia. Você não voltou ao ponto de partida. Você apenas escorregou — e está a um passo de retomar o equilíbrio. Blz? Show!

Eduardo Giovanelli

Neuropsicólogo

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