Crises Dissociativas: Entenda na prática o que acontece no cérebro durante um episódio dissociativo.

Os episódios dissociativos são experiências complexas que envolvem alterações na forma como o cérebro integra a realidade. Do ponto de vista neuropsicológico, diferentes regiões cerebrais são afetadas, o que pode gerar desde desconexão momentânea até consequências mais significativas, dependendo da intensidade e do contexto emocional vivido.

Três áreas do cérebro desempenham papel central nesse processo: o córtex pré-frontal, o hipocampo e o cerebelo. Entender como cada uma delas é impactada ajuda a compreender melhor os efeitos da dissociação no funcionamento mental e físico.

O papel do córtex pré-frontal:

O córtex pré-frontal, localizado na região frontal do cérebro, na nossa testa, está relacionado à regulação emocional, ao pensamento racional, ao controle inibitório e à percepção consciente da realidade.

Em episódios dissociativos, essa região pode apresentar funcionamento disfuncional, o que gera experiências de despersonalização (sensação de estar desconectado do próprio corpo) e desrealização (sensação de que o ambiente não é real). Isso ocorre porque a área deixa de integrar de forma adequada emoções, pensamentos e percepções, resultando em uma quebra momentânea do senso de realidade.

O impacto no hipocampo:

O hipocampo está associado às memórias e à capacidade de contextualizar experiências no tempo e no espaço. Quando há dissociação, pode ocorrer a chamada amnésia dissociativa, em que partes ou até mesmo todo o evento vivido não são registradas de forma consciente.

Essa desconexão entre experiência e memória faz com que a pessoa não consiga acessar determinadas lembranças relacionadas ao episódio, o que reforça a sensação de vazio ou de apagão.

A influência no cerebelo:

O cerebelo, responsável pela coordenação motora, equilíbrio e tônus muscular, também pode ser afetado durante um episódio dissociativo.

Alterações nessa região podem gerar dificuldades motoras momentâneas, sensação de vertigem, instabilidade corporal ou até mesmo reações incomuns na pele ou nos músculos. Isso acontece porque a dissociação interfere não apenas na percepção da realidade, mas também nos mecanismos que sustentam a consciência corporal, o movimento e o equilíbrio.

Cada episódio dissociativo pode variar em intensidade, indo de situações leves até crises mais graves. Além de trazer uma sensação de desconexão com a realidade, os efeitos podem incluir lapsos de memória, alterações emocionais e até dificuldades motoras temporárias.

Compreender como o cérebro atua nesses momentos ajuda a ampliar a conscientização sobre os mecanismos envolvidos e a importância de observar como essas experiências se manifestam. A dissociação é relativamente comum, mas seus impactos podem variar muito de pessoa para pessoa, sendo fundamental reconhecer sua complexidade para atuar de forma mais funcional dependendo do caso. Blz? Show!

Eduardo Giovanelli

Neuropsicólogo

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