Por que mudar um pensamento não é tão simples? Entenda as camadas da mente segundo a TCC

Você já ouviu alguém dizer: “É só pensar positivo!” ou “Mude esse pensamento e tudo melhora”? Embora bem-intencionadas, essas frases ignoram algo fundamental que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ensina: nossos pensamentos têm camadas, e é preciso ir mais fundo para promover mudanças reais e duradouras.

A metáfora da árvore

Para entender melhor como isso funciona, pense em uma árvore. Na copa, com folhas e frutos, estão os pensamentos automáticos — aquelas ideias que surgem espontaneamente, como “não vou conseguir” ou “as pessoas vão me julgar”. Esses pensamentos parecem simples de mudar, mas na verdade, são apenas a parte visível de algo mais profundo.

O tronco representa as crenças intermediárias, que conectam os pensamentos automáticos às raízes. São regras e padrões que criamos ao longo da vida, como “se eu erro, sou um fracasso” ou “se eu não agradar, serei rejeitado”.

Já as raízes são onde estão as crenças centrais — ideias profundas que formamos, muitas vezes na infância, e que moldam nossa percepção do mundo e de nós mesmos. Segundo a TCC, essas crenças geralmente se agrupam em quatro grandes temas:

  • Desamor: a sensação de não ser amado ou digno de amor
  • Desamparo: a ideia de que estamos sozinhos e desprotegidos
  • Desesperança: a crença de que nada pode melhorar
  • Desvalia: a sensação de não ter valor ou competência

Por que isso influencia tanto a ansiedade?

Porque essas crenças centrais atuam como raízes invisíveis, que alimentam os pensamentos disfuncionais que geram ansiedade. Se você tenta mudar apenas o pensamento automático (a folha), mas ignora as raízes (as crenças), a árvore continuará crescendo da mesma forma.

É possível mudar essas crenças?

Sim, mas não da noite para o dia. Reestruturar crenças centrais exige autoconhecimento, técnica e suporte especializado. É aí que a TCC se destaca: ela fornece ferramentas para que você identifique essas raízes, entenda suas origens e, pouco a pouco, possa ressignificá-las.

Mudar um pensamento não é apenas uma questão de força de vontade. É um processo que envolve entender a estrutura mais profunda da mente e trabalhar com aquilo que está na raiz da ansiedade. Se você sente que já tentou de tudo e ainda se sente preso aos mesmos padrões, talvez seja hora de olhar para as raízes. E você não precisa fazer isso sozinho — a terapia pode te ajudar nesse caminho. Blz? Show!

Eduardo Giovanelli

Neuropsicólogo

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